O número de mortos na Venezuela subiu para 1.943 nesta terça-feira (30), de acordo com o governo venezuelano. A atualização ocorre seis dias após dois terremotos em sequência terem atingido a região norte do país, onde fica Caracas.
Segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas. A dimensão do desastre também foi calculada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), que aponta que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos sismos.
6º dia de buscas
Equipes de resgate seguem mobilizadas em busca de sobreviventes sob os escombros. Com o passar das horas, cresce a preocupação entre as autoridades: quanto mais o tempo passa, menores as chances de encontrar pessoas com vida. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes. Após esse período, as operações costumam se concentrar na retirada de cadáveres.
Na noite da última quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, derrubando prédios e deixando um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
Crise humanitária
A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que as operações de resgate serão mantidas e anunciou um plano para atender as famílias que perderam suas casas. O balanço preliminar aponta que mais de 770 edifícios sofreram desabamentos totais ou parciais, entre imóveis residenciais, comércios e hospitais.
La Guaira concentra a maior parte da destruição. O desastre também atingiu Caracas e Maiquetía, cidade que abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, ainda fechado. Em contrapartida, outros aeroportos internacionais, como o de Valencia, já retomaram as operações.
Socorristas enfrentam temperaturas elevadas e precisam remover destroços manualmente. Relatos de pessoas que acompanham o trabalho das equipes descrevem que o cheiro de decomposição dos corpos se torna mais intenso a cada dia.
Foi apenas no domingo que missões internacionais de resgate começaram a chegar em grande número a La Guaira. Antes disso, moradores relataram frustração com a resposta das autoridades e afirmaram que boa parte dos primeiros socorros foi organizada por voluntários e pela própria população.
As autoridades mantêm as buscas.
