Representantes do setor de energia solar protestaram, na manhã desta terça-feira (30), em frente à sede da Neoenergia Brasília, no Distrito Federal. O ato denunciou atrasos na conexão de sistemas de geração distribuída à rede elétrica.
Segundo a Associação Brasiliense de Energia Solar (ABES), organizadora da manifestação, mais de 100 integradores, empresários, instaladores e profissionais do setor participaram do protesto. O movimento foi motivado pelo aumento de reclamações envolvendo a geração distribuída (GD), modalidade em que o próprio consumidor produz energia, geralmente por meio de placas solares instaladas em residências, empresas ou propriedades rurais.
Consumidores esperam há mais de 600 dias
De acordo com Lucas de Paula, membro da ABES, há consumidores que instalaram placas solares e aguardam há mais de 600 dias para que a Neoenergia conclua o processo de conexão. Enquanto isso não acontece, os consumidores não conseguem começar a gerar energia nem obter a economia esperada na conta de luz.
Lucas afirmou que os problemas vão além da demora para conectar os sistemas à rede elétrica. “O consumidor fica sem informação, os protocolos desaparecem, há demora nas vistorias, problemas no faturamento e créditos de energia que deixam de ser compensados. Isso gera insegurança tanto para quem investiu quanto para as empresas que atuam no setor”, disse.
Reunião com a Neoenergia
Após a manifestação, representantes da ABES foram recebidos pela diretoria da Neoenergia Brasília para apresentar as principais demandas do setor e cobrar medidas para reduzir os atrasos e melhorar o atendimento aos consumidores.
Em nota, a Neoenergia Brasília informou que, como resultado da reunião, vai criar canais exclusivos de atendimento para demandas relacionadas a vistorias, faturamento e compensação de créditos de energia. A empresa afirmou ainda que está atualizando seus sistemas e reconheceu que a transição gerou impactos, “especialmente em faturamento e compensação de créditos”, mas disse que os problemas já estão sendo tratados com prioridade.
Sobre os atrasos na conexão das usinas, a concessionária explicou que o processo envolve etapas técnicas e regulatórias e informou que cerca de 50% dos projetos apresentados pelos clientes possuem pendências técnicas, o que impacta os prazos de conclusão. Por fim, a Neoenergia afirmou que está “reforçando equipes, acelerando análises e aperfeiçoando processos” para corrigir inconsistências e melhorar o atendimento.
