Manifestantes desafiam imigrantes e polícia reage
Manifestantes contra a imigração, muitos envoltos em bandeiras sul-africanas e empunhando armas de madeira, marcharam por diversas cidades da África do Sul nesta terça-feira (30 de junho). A data marcava o fim do prazo estabelecido por grupos antimigrantes para que estrangeiros sem documentação deixassem o país. Segundo a Reuters, algumas marchas foram pacíficas, mas outras registraram violência.
Milhares de estrangeiros, principalmente de outras nações africanas, já haviam fugido antes do chamado 'prazo'. Lojas fecharam e trabalhadores estrangeiros permaneceram em casa, temendo novos ataques após meses de agitação que geraram condenação internacional. Pelo menos quatro pessoas morreram e milhares foram expulsas de suas casas, além de terem negócios e propriedades vandalizados.
Líder de movimento promete marchas semanais
Jacinta Ngobese, líder do grupo antimigrante 'March and March', afirmou que o movimento organizará marchas semanais até que os objetivos sejam alcançados. 'Nos próximos seis meses, pedimos que nossos recursos nacionais sejam utilizados para expulsar os imigrantes ilegais deste país. De prédio em prédio, eles precisam ir embora', disse Ngobese, durante protesto em Durban. Ela também declarou que o grupo não pode ser responsabilizado por atos espontâneos de raiva da população.
Políticos têm sido acusados de usar a xenofobia para conquistar votos nas eleições locais previstas para novembro. A África do Sul, que já foi vista como defensora dos direitos humanos na era pós-Nelson Mandela, vê sua reputação manchada pelo sentimento anti-imigrante. Segundo cientistas sociais, as acusações de que imigrantes 'roubam empregos' ou 'sobrecarregam serviços públicos' carecem de evidências.
Polícia prende saqueadores e usa balas de borracha
A polícia sul-africana informou que prendeu alguns saqueadores durante as marchas, mas não deu detalhes. Em Thembisa, subúrbio ao norte de Johanesburgo, manifestantes atiraram pedras contra a polícia e supostos migrantes. Tiros esporádicos foram ouvidos perto do centro comercial. No bairro de Soweto, manifestantes saquearam barracos de estrangeiros, conforme a emissora nacional SABC. A polícia usou balas de borracha para dispersar protestos em Pietermaritzburg, perto de Durban.
O jornal Daily Maverick noticiou que veículos táticos foram mobilizados em Benoni, a leste de Johanesburgo, após a polícia ser ameaçada por cerca de 500 manifestantes. Apesar da crise, a África do Sul continua atraindo migrantes — a população imigrante é de cerca de 3 milhões, aproximadamente 4% do total, proporção considerada baixa em padrões globais. A polícia segue investigando os casos de violência.
