Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3) mostra que 40% dos brasileiros associam a pobreza à "preguiça de pessoas que não querem trabalhar". O número quase dobrou em relação a 2022, quando era de 22%, e é o maior da série histórica, iniciada em 2013.
Maioria ainda vê falta de oportunidades
Apesar do avanço da visão que liga pobreza à preguiça, a maioria dos entrevistados ainda atribui a pobreza à falta de oportunidades iguais. Esse índice foi de 76% em 2022 para 58% em 2026. Segundo o Datafolha, a pergunta faz parte do eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto, que reúne dez temas sobre valores sociais e políticos.
O levantamento foi realizado presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Divisão por renda, ocupação e idade
A análise do Datafolha aponta que a percepção varia conforme a renda e a ocupação do entrevistado. Entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, o índice é idêntico à média nacional: 40% associam pobreza à preguiça e 58% à falta de oportunidades. Já na faixa mais rica, com renda acima de 10 salários mínimos, 63% creditam a pobreza à falta de oportunidades.
No critério de ocupação, os empresários são os que mais associam pobreza à preguiça (56%), enquanto os funcionários públicos têm o menor índice (28%). Por idade, o abismo geracional é marcante: entre jovens de 16 a 24 anos, 74% citam falta de oportunidades e 22% apontam preguiça. Entre os 60 anos ou mais, há empate técnico: 49% associam à preguiça e 48% à falta de oportunidades.
Preferência política e histórico
O alinhamento político também influencia os resultados. Entre eleitores de Lula (PT), 70% apontam falta de oportunidades e 28% associam à preguiça. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 52% associam à preguiça e 44% apontam falta de oportunidades.
O índice atual de 40% supera recordes anteriores: 32% em 2013, 37% em 2014, 21% em 2017 e 22% em 2022. O Datafolha também registrou que, pela primeira vez desde 2014, mais brasileiros se identificam com a direita (44%) do que com a esquerda (39%).
A polícia investiga o caso.
