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Negro tem quatro vezes mais risco de ser morto pela polícia, aponta relatório

Relatório mostra que pessoas negras têm 4x mais risco de morte por policiais em nove estados. 86,3% das vítimas são negras, maioria jovens de até 29 anos.

Por GrudanaWeb 04 de Julho de 2026, 06:00 📖 3 min de leitura
Negro tem quatro vezes mais risco de ser morto pela polícia, aponta relatório

Um relatório divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança revela que pessoas negras têm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. O estudo, intitulado "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", analisou dados de letalidade policial de 2025 em nove estados brasileiros.

Números da letalidade policial

De acordo com o levantamento, foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial nos estados monitorados — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. O número representa um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior.

Do total de vítimas, 86,3% (3.104 pessoas) eram negras. A maioria são jovens com até 29 anos (64,8%), do sexo masculino e residentes em periferias e favelas. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação junto às secretarias de segurança dos estados.

Desigualdade racial persiste em todos os estados

Em todos os estados analisados, a proporção de negros mortos supera a participação desse grupo na população local. Na Bahia, por exemplo, os negros representam 79,7% dos habitantes, mas correspondem a 93,9% das vítimas. No Maranhão, 79% da população é negra, mas 92% dos mortos pela polícia são negros.

O Amazonas apresentou a maior proporção: 96% dos mortos eram negros, em um estado onde 77,1% da população é negra. Não há reconhecimento oficial de vítimas indígenas, mesmo com 12,5% da população se autodeclarando indígena.

Quatro estados registraram o maior número de mortes de suas séries históricas desde 2019: Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834). O Piauí foi o único a apresentar redução, com queda de 16,7% — mesmo assim, a desigualdade racial se manteve: 85% das vítimas eram negras, contra 77,1% da população.

A Polícia Militar foi responsável pela maioria das mortes nos estados onde a informação foi detalhada. No Amazonas, a PM respondeu por 75% dos casos; no Pará, por 90%.

Os pesquisadores apontam que a opacidade dos dados fornecidos pelas secretarias ainda é um desafio. Estados costumam usar a categoria "não informado" para ocultar o perfil racial de mais da metade das vítimas. Quando o Maranhão passou a informar melhor, a proporção de negros mortos disparou 22 pontos percentuais.

A polícia investiga o caso.

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