Um relatório divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança revela que pessoas negras têm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que pessoas brancas. O estudo, intitulado "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", analisou dados de letalidade policial de 2025 em nove estados brasileiros.
Números da letalidade policial
De acordo com o levantamento, foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial nos estados monitorados — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. O número representa um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior.
Do total de vítimas, 86,3% (3.104 pessoas) eram negras. A maioria são jovens com até 29 anos (64,8%), do sexo masculino e residentes em periferias e favelas. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação junto às secretarias de segurança dos estados.
Desigualdade racial persiste em todos os estados
Em todos os estados analisados, a proporção de negros mortos supera a participação desse grupo na população local. Na Bahia, por exemplo, os negros representam 79,7% dos habitantes, mas correspondem a 93,9% das vítimas. No Maranhão, 79% da população é negra, mas 92% dos mortos pela polícia são negros.
O Amazonas apresentou a maior proporção: 96% dos mortos eram negros, em um estado onde 77,1% da população é negra. Não há reconhecimento oficial de vítimas indígenas, mesmo com 12,5% da população se autodeclarando indígena.
Quatro estados registraram o maior número de mortes de suas séries históricas desde 2019: Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834). O Piauí foi o único a apresentar redução, com queda de 16,7% — mesmo assim, a desigualdade racial se manteve: 85% das vítimas eram negras, contra 77,1% da população.
A Polícia Militar foi responsável pela maioria das mortes nos estados onde a informação foi detalhada. No Amazonas, a PM respondeu por 75% dos casos; no Pará, por 90%.
Os pesquisadores apontam que a opacidade dos dados fornecidos pelas secretarias ainda é um desafio. Estados costumam usar a categoria "não informado" para ocultar o perfil racial de mais da metade das vítimas. Quando o Maranhão passou a informar melhor, a proporção de negros mortos disparou 22 pontos percentuais.
A polícia investiga o caso.
