A violência política de gênero não é um fenômeno novo, mas ganhou um novo capítulo nos últimos dias: mulheres da direita começaram a denunciar publicamente os ataques que sofrem dentro da própria militância. O caso mais recente envolve Michelle Bolsonaro, que tornou públicos insultos que teria recebido do enteado e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
Um problema histórico, agora visível em todos os lados
De acordo com o colunista André Santana, do UOL, a violência política de gênero sempre existiu, mas era denunciada, sobretudo, por mulheres de esquerda. Dilma Rousseff, Benedita da Silva, Marina Silva, Erundina, Marielle Franco e Érika Hilton são alguns dos nomes que enfrentaram ataques misóginos ao longo da vida pública.
Um dos episódios emblemáticos lembrados pelo colunista foi a abertura da Copa do Mundo de 2014, em São Paulo, quando milhares de torcedores vaiaram e xingaram a então presidente Dilma com ofensas sexuais. A campanha de desqualificação incluiu adesivos e capas de revista que a tratavam como "histérica" ou "incapaz".
Em 2016, durante a votação do impeachment de Dilma na Câmara, o ex-presidente Jair Bolsonaro dedicou seu voto ao coronel Ustra, torturador da ditadura, chamando-o de "o pavor de Dilma". A fala foi entendida como mais um ataque de gênero disfarçado de opinião política.
Lei aprovada em 2021 reconhece o problema
A mobilização de mulheres de diferentes partidos levou à aprovação da Lei nº 14.192, em 2021, que estabelece medidas de prevenção e combate à violência política de gênero. A lei alterou o Código Eleitoral e a legislação partidária, fruto de décadas de luta de parlamentares, pesquisadoras e movimentos feministas.
Direita agora enfrenta o mesmo problema
O colunista destaca que, até pouco tempo, lideranças conservadoras minimizavam ou ignoravam o tema. No entanto, Michelle Bolsonaro quebrou esse silêncio ao denunciar ataques partidos do próprio círculo familiar e político.
Outro nome citado é o influenciador Paulo Figueiredo, considerado foragido pela Justiça brasileira. Em seu podcast, ele afirmou que "mulher vota estatisticamente mal" e que casadas costumam acompanhar o voto do marido — declaração que reforça o estereótipo misógino, segundo a análise.
A polícia e as comissões de direitos humanos devem monitorar os próximos desdobramentos. A expectativa é que o debate amplie a conscientização e fortaleça a aplicação da lei já existente.
