Mundo

Terremotos na Venezuela: mortos passam de 1.700 e EUA acelera ajuda humanitária

Balanço de terremotos na Venezuela ultrapassa 1.700 mortos e 5 mil feridos. EUA envia fuzileiros para acelerar ajuda. Sobreviventes são resgatados após 120 horas.

Por GrudanaWeb 29 de Junho de 2026, 16:45 📖 4 min de leitura
Terremotos na Venezuela: mortos passam de 1.700 e EUA acelera ajuda humanitária
Wikimedia Commons - USGS

O balanço de vítimas dos dois terremotos consecutivos que atingiram a Venezuela subiu para pelo menos 1.719 mortos e mais de 5 mil feridos nesta segunda-feira (29). Os tremores, com magnitudes de 7,2 e 7,5, devastaram bairros inteiros no estado costeiro de La Guaira e derrubaram prédios em Caracas, a capital venezuelana.

Segundo o presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, o número de feridos chegou a 5.034 pessoas. Cinco dias após o desastre, equipes de resgate de 27 países trabalham na busca por sobreviventes, mas as esperanças diminuem a cada hora.

EUA mobiliza fuzileiros navais para acelerar operação

O exército dos Estados Unidos redobrou esforços para acelerar a chegada de ajuda às vítimas. Fuzileiros navais americanos trabalham no reparo do porto de La Guaira, a 40 km de Caracas, para permitir o envio de provisões e equipamentos por mar, segundo informou um funcionário do governo americano em Washington.

Militares da Força Aérea americana auxiliam no restabelecimento do trânsito no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que foi parcialmente reaberto para voos de carga e ajuda humanitária. A área de La Guaira foi a mais afetada pelos tremores.

Sobreviventes resgatados após mais de 120 horas

Apesar da janela crítica de 72 horas para resgates ter se fechado, milagres ainda acontecem. Uma mulher enviou mensagem por WhatsApp ao encarregado de um edifício que desmoronou em Caraballeda, localidade próxima a Caracas, informando que estava viva, segundo relatou Daniel Pino, socorrista voluntário, à agência AFP.

Um jovem de 21 anos identificado como Aaron Levi foi resgatado nesta segunda-feira na localidade vizinha de Tanaguarena, mais de 120 horas após o desastre, conforme vídeo divulgado por fotógrafo que acompanhou a operação.

Centenas de corpos estão em necrotérios improvisados em depósitos do porto de La Guaira. Wilker Molalla, de 25 anos, aguardava liberação dos corpos de familiares: "Me dizem que ali estão minha irmã e os filhos dela, e os filhos do meu irmão. Estamos esperando que cheguem mais caminhonetes para que possam entregá-los a nós com a certidão de óbito".

ONU mobiliza ajuda e população reclama de lentidão

A ONU, que teme aumento no número de vítimas fatais, fornecerá 10 mil bolsas mortuárias, informou o coordenador das Nações Unidas no país, Gianluca Rampolla Del Tindaro. Um total de 27 países mobilizou mais de 40 equipes de busca e resgate, com mais de 2 mil socorristas e 160 cães.

A população demonstra revolta com a lenta resposta do governo venezuelano. "Nós mesmos fazemos tudo. Nós mesmos nos ajudamos, confiando que Deus nos sustenta", declarou Dayana Lean, de 51 anos, na praia Los Cocos, em La Guaira, à AFP.

Segundo a ONU, os terremotos podem deixar quase 7 milhões de desabrigados e danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,6 bilhões), equivalente a 6% do PIB venezuelano. Ao menos 855 edifícios sofreram danos, sendo 189 com colapso total.

Na manhã desta segunda-feira, uma forte réplica de magnitude 4,6 foi sentida em Caracas e La Guaira, revivendo o medo da população, mas sem provocar danos adicionais. La Guaira já havia sido devastada em 1999 por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10 mil mortos.