Organizações humanitárias alertaram na terça-feira (30) que o frágil sistema de saúde da Venezuela está sendo levado ao limite quase uma semana após dois fortes terremotos. Hospitais danificados e com falta de pessoal estão sobrecarregados por feridos e doenças infecciosas se alastrando na zona de desastre.
Segundo o governo venezuelano, o número de resgates oficiais caiu drasticamente nos últimos três dias. Nos dois primeiros dias após os terremotos, 5.380 pessoas foram salvas. Já na segunda-feira (29), apenas quatro foram encontradas com vida pelas autoridades.
O período crucial para encontrar sobreviventes de terremotos é de 48 a 72 horas, mas é possível sobreviver por mais tempo, dependendo de fatores como temperatura e acesso a água ou comida. O único sobrevivente resgatado na terça-feira até o pôr-do-sol era uma criança que ficou presa por seis dias sob um prédio desabado, disse Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional.
Resgates voluntários e subnotificação de mortos
Esses números não incluem os muitos resgates realizados por grupos de voluntários que, frustrados com a resposta lenta do governo, se mobilizaram para salvar entes queridos presos dias antes da chegada de equipes internacionais especializadas.
O governo estima o número de mortos em mais de 1.900. Especialistas afirmam que esse número representa uma subnotificação significativa, já que mais corpos são retirados dos escombros diariamente e os necrotérios têm dificuldades para lidar com a grande quantidade de vítimas.
Crise humanitária e sistema de saúde sob pressão
Entre os sobreviventes, uma crise humanitária se desenrola. Agências das Nações Unidas estimaram, na terça-feira, que o terremoto acumulou 1,2 milhão de toneladas de entulho, entre prédios destruídos e pertences pessoais. Elas expressaram preocupação com os efeitos na saúde de milhares de pessoas desabrigadas que dormem há dias ao relento ou em abrigos superlotados e insalubres.
O sistema de saúde venezuelano, sobrecarregado por décadas de pouco investimento e anos de crise econômica, está “sob extrema pressão, com instalações operando além da capacidade para atender à crescente demanda por casos de trauma”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
Autoridades venezuelanas afirmam que mais de 15.800 pessoas foram afetadas pelos terremotos — número que reflete a quantidade oficial de deslocados, disse na terça-feira a porta-voz da agência da ONU para refugiados, Carlotta Wolf.
A polícia e as autoridades de saúde investigam o impacto total do desastre.
