Duas mortes em menos de 15 dias em atrativos naturais de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, reacendem o alerta sobre os riscos das atividades ao ar livre. A guia Anderson Montanha, que coordena a implementação da Travessia Mico-Leão-Dourado, chama atenção para um fenômeno observado em acidentes recentes: o relaxamento da segurança no final do percurso, impulsionado pelo desejo de registrar fotos impactantes.
Acidentes na Gruta do Spar e na Pedra do Macaco
No dia 14 de junho, Rosemary Suzart Garcia, de 59 anos, morreu após cair de cerca de 30 metros na Gruta do Spar. Segundo testemunhas, ela escorregou enquanto passava repelente próximo ao ponto de ancoragem para uma atividade de rapel. Já no domingo (28), Caio Rocha Aguiar Arrabal, de 44 anos, caiu de um penhasco com cerca de 150 metros na Pedra do Macaco. De acordo com a Polícia Militar, ele subiu em uma pedra no topo para tirar uma foto e caiu ao tentar descer.
Guia alerta sobre comportamento de risco
Para Anderson, os casos mostram um padrão: o cuidado concentrado no início da trilha e um relaxamento no destino final. "A gente tem percebido bastante isso nos acidentes dos últimos meses. Existe uma preocupação no início da trilha, com as orientações e os cuidados. Mas quando chega ao atrativo final, parece haver um bloqueio, uma espécie de relaxamento. Surge aquela vontade de fazer uma foto impactante para as redes sociais e a segurança deixa de estar em primeiro lugar", alertou o guia, que também é instrutor de cursos de liderança em ambientes naturais.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias de ambos os acidentes.
