Ao ser questionada sobre as reclamações de que o Rock in Rio estaria perdendo sua essência, Roberta Medina, vice-presidente da Rock World (empresa organizadora do festival), foi direta: 'Os roqueiros são barulhentos. Então quando não tem o rock, eles vão nas redes, fazem barulho, mas o primeiro dia que esgota é o pop.'
A declaração foi feita durante entrevista à imprensa brasileira na edição do festival em Lisboa, que recebeu cerca de 330 mil pessoas ao longo de quatro dias. Entre as atrações, nomes do pop e do rock como Sepultura e Linkin Park se apresentaram.
'A gente ama o rock, mas o mercado dita'
Medina explicou que o Rock in Rio sempre foi um festival eclético. 'Se a gente olhar para 1985, sempre foi sobre todos os estilos. Nunca foi só rock', afirmou. Ela ressaltou que a empresa valoriza o gênero, mas que o line-up depende da disponibilidade dos artistas e do interesse do público.
'A gente ama o rock. Tá na nossa essência, tá na nossa atitude. Mas o que a gente precisa construir são dias que funcionam para essas milhares de pessoas', completou.
A vice-presidente ainda confessou que, quando tinha 12 anos (na edição do Maracanã em 1991), tinha medo do público do metal, mas que hoje o festival abraça todos os estilos.
Balanço de Lisboa e planos de expansão
Roberta Medina avaliou como positiva a segunda edição do Rock in Rio Lisboa no Parque Tejo, espaço inaugurado em 2023. Ela destacou que problemas como filas em banheiros e bares – registrados na edição anterior – foram resolvidos com a duplicação de estruturas.
'Ainda temos um desafio, que é o fato de as pessoas pararem na rua que liga um palco ao outro. A gente já alargou, mas eles param ali com a inclinação e parece que está cheio, quando lá na frente ainda tem espaço', explicou.
Sobre o futuro, Medina negou que o Rock in Rio esteja planejando se expandir para outros países, optando por fortalecer os eventos existentes. 'O esforço para fazer uma edição em outro país é muito grande, porque o Rock in Rio é um modelo de negócio muito diferente', afirmou. A aposta é no chamado 'turismo musical', onde as pessoas programam viagens para curtir festivais.
