A produção industrial no Brasil recuou 0,2% em maio na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (3). O resultado frustrou a expectativa de economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam alta de 0,3%.
Na comparação com maio do ano passado, a produção industrial avançou 0,2%, também abaixo da previsão do mercado, que esperava alta de 1,3%. Com o resultado de maio, a indústria brasileira interrompeu uma sequência de quatro meses consecutivos de alta.
Setores que puxaram a queda
Segundo o IBGE, as principais influências negativas na passagem de abril para maio vieram de coque (combustível derivado do carvão hulha), produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que tiveram queda de 6,1%. As indústrias extrativas também recuaram 2,6% no período.
André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE, afirmou que o álcool etílico e a gasolina exerceram as maiores pressões negativas em derivados do petróleo, enquanto minério de ferro, óleos brutos do petróleo e gás natural pesaram sobre a indústria extrativa. Para ele, as quedas em maio representam mais uma acomodação do que uma reversão de tendência.
Outros setores que apresentaram resultados negativos na comparação com abril foram: produtos alimentícios (-1,3%), produtos têxteis (-4,0%), impressão e reprodução de gravações (-8,1%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,0%).
Categorias econômicas
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo semi e não duráveis tiveram queda de 1,3% em comparação com abril. Bens intermediários (-0,4%) e bens de capital (-0,2%) também registraram taxas negativas. Apenas bens de consumo duráveis tiveram alta (3,6%).
Apesar do recuo em maio, a indústria ainda acumula resultados positivos no ano. As indústrias extrativas cresceram 7,9% no acumulado de 2026, enquanto coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis têm alta de 5,1%.
Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, avaliou que a perspectiva é de perda gradual de tração da indústria, especialmente da indústria de transformação. Para ele, a extrativa, que continua sendo impulsionada pela forte produção de petróleo, também deve perder parte do impulso visto no último ano.
Ainda assim, a produção industrial brasileira encontra-se 13,0% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, segundo o IBGE.
