A perícia da Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a presença de clonazepam no sangue do casal de idosos assassinado a facadas dentro do apartamento onde moravam, em Belo Horizonte. A principal suspeita do crime, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, está presa.
Exame toxicológico confirma calmante
O exame toxicológico realizado pela perícia apontou a presença do medicamento clonazepam, um calmante de longa ação indicado para distúrbios de pânico e ansiedade, no sangue das vítimas. Segundo o delegado responsável pela investigação, Gustavo Barletta, a descoberta reforça a versão apresentada pela suspeita.
A diarista teria dito informalmente à polícia que colocou comprimidos na bebida servida ao casal antes do crime. Os dois idosos foram dopados antes de serem mortos com golpes de faca.
Suspeita alega surto psicótico
A suspeita foi ao local para realizar um serviço de limpeza. À polícia, ela contou que, enquanto trabalhava, ficou encantada com a residência e surgiu o interesse em praticar um crime contra o patrimônio. Ela teria visto joias, relógios e dinheiro no apartamento.
Em depoimento, Paola também alegou ter tido um "surto psicótico", dizendo que escutou vozes que determinavam que ela cometesse o assassinato. O delegado Barletta afirmou que não se recorda de um crime contra o patrimônio com tamanha quantidade de golpes de faca.
Prisão preventiva decretada
A mulher foi presa na cidade de Itabira, a cerca de 100 km da capital mineira. A Justiça de Minas Gerais converteu a prisão em flagrante em preventiva durante a audiência de custódia. A juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto argumentou que nenhum documento ou relatório médico foi apresentado pela defesa comprovando que Paola Cirino tenha patologia psiquiátrica ou seja incapaz de compreender o caráter ilícito de sua conduta.
Na decisão, a magistrada afirmou que os laudos periciais apontaram ausência de resquícios na urina e no sangue de quaisquer substâncias que indicassem uso de remédios psiquiátricos ou entorpecentes pela investigada.
Defesa alega histórico conturbado
A defesa da suspeita, por meio do advogado Bruno Correa, disse que Paola tem "histórico pessoal conturbado" e possui "diagnóstico sensível". Em vídeo enviado à reportagem, o advogado afirmou que aguarda a chegada da documentação para avaliar um possível pedido de insanidade mental.
"A documentação que comprova a sua saúde mental ainda não chegou, assim que chegar faremos um estudo responsável e técnico sobre essa documentação para saber se formalizaremos um pedido de insanidade mental", disse Correa.
Relembre o crime
O advogado Cláudio Atala Inácio e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio foram encontrados mortos no apartamento em que moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte. Eles foram achados pelo filho na terça-feira (30). A perícia apontou que o advogado foi atingido por 17 facadas, e a esposa por sete golpes.
Câmeras de segurança do prédio registraram a entrada e saída da suspeita. As imagens mostram que a diarista entrou no condomínio por volta das 7h e deixou o prédio às 15h30, usando roupas diferentes e carregando uma sacola que seria de uma das vítimas.
A polícia encontrou, em uma caçamba de lixo, uma roupa com manchas de sangue que pode ter sido descartada pela suspeita durante a fuga. O material será submetido a perícia.
A polícia investiga o caso.
