O trabalhador rural Evando Ferreira da Silva, de 60 anos, relembra com dor o momento em que perdeu o filho Everton Ramos Ferreira da Silva, de 15 anos, durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Segundo Distrito, em Rio Branco, em novembro de 2022. Segundo ele, o adolescente morreu em seus braços após horas na unidade sem receber exames adequados.
Everton tinha hidrocefalia e havia passado por uma cirurgia para retirar um tumor na região da cabeça. No dia do ocorrido, ele começou a sentir fortes dores abdominais. A família procurou primeiro a UPA do bairro São Francisco, onde ele foi medicado e voltou para casa. Horas depois, com a dor aumentando, precisou retornar — desta vez, à UPA do Segundo Distrito.
Falha no diagnóstico e morte por sepse
De acordo com Evando, Everton permaneceu horas na unidade sem passar por exames para identificar a causa do problema. "Não fizeram nada. Meu filho ficou lá em cima da maca. Não fizeram exame, não fizeram raio-X, uma ressonância. Ele passou a noite todinha só tomando medicação", relatou.
A vítima faleceu após falhas no diagnóstico de abdome agudo, que evoluiu para sepse em menos de 72 horas. A decisão judicial apontou que o óbito ocorreu por complicações de abdome agudo e sepse, após falha operacional e atraso no diagnóstico na UPA.
Justiça mantém condenação do Estado
Inconformado com a morte do filho, Evando entrou na Justiça em março de 2023 contra o Estado. Em junho, o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) manteve a condenação do Estado pela falha na prestação do serviço de saúde. O valor da indenização por danos morais foi fixado em R$ 100 mil, sendo R$ 50 mil para cada um dos pais do adolescente. A decisão é da Segunda Câmara Cível do TJ-AC e cabe recurso. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou que ainda não foi notificada.
Para Evando, o processo não teve como principal objetivo a indenização financeira, mas sim evitar que outras famílias passem pela mesma situação. "Não é questão de dinheiro. Dinheiro nenhum paga a vida do meu filho. O que eu quero é que eles sejam responsabilizados para que isso não aconteça com outras famílias", afirmou.
A polícia investiga o caso.
