Keiko Fujimori foi confirmada como a nova presidente eleita do Peru nesta sexta-feira (3), após vencer o deputado de esquerda Roberto Sánchez em uma disputa acirrada. Com 50,13% dos votos, segundo o Júri Nacional de Eleições (JNE), ela conquistou o cargo na quarta tentativa — havia sido derrotada em 2011, 2016 e 2021.
Aos 51 anos, Keiko é a filha mais velha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e morreu em 2024. A mãe, Susana Higuchi, faleceu em 2021. Formada em Administração de Empresas, com mestrado nos Estados Unidos, ela disse em um vídeo no YouTube que nunca planejou entrar na política, mas sim ser empresária. "Nunca esteve nos meus planos ser política. Mas, uma vez que decidi, tinha que fazer direito", afirmou.
Trajetória política de Keiko Fujimori
Keiko entrou na política em 2005, quando o pai ligou avisando que seria investigado e poderia ser preso, convidando-a a se candidatar ao Congresso. Ela aceitou e foi eleita em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano, pelo partido Aliança para o Futuro (AF). Desde então, tornou-se uma figura central na direita peruana, liderando o partido Força Popular.
Entre 2018 e 2020, Keiko passou quase um ano e meio em prisão preventiva, investigada por suposto financiamento irregular de campanha. O caso foi arquivado no ano passado. Ela se apresenta como a candidata mais capaz de restaurar a ordem e a estabilidade no Peru, prometendo medidas de segurança rígidas e uma "guerra frontal" contra o crime.
Plataforma de campanha e desafios
Na campanha, Keiko evocou o legado do pai, que na década de 1990 derrotou guerrilheiros do Sendero Luminoso com apoio das Forças Armadas. Ela promete leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência. O discurso mais duro ajudou a reduzir a rejeição: segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores afirmaram antes do segundo turno que não votariam nela, contra 59% no primeiro turno.
Uma de suas primeiras tarefas será consolidar uma base no Legislativo. O Força Popular elegeu 22 senadores e 45 deputados. Com outros partidos, a direita soma 30 cadeiras no Senado e 63 na Câmara. A polícia investiga eventuais denúncias de irregularidades no pleito.
