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Venezuelanos em Santarém vivem angústia após terremoto e arrecadam doações

Imigrantes venezuelanos em Santarém, no Pará, tentam contato com familiares após terremoto que deixou mais de 1.700 mortos na Venezuela e organizam campanha de doações.

Por GrudanaWeb 29 de Junho de 2026, 20:16 📖 3 min de leitura
Venezuelanos em Santarém vivem angústia após terremoto e arrecadam doações

A mais de dois mil quilômetros de distância, venezuelanos que reconstruíram a vida em Santarém, no oeste do Pará, acompanham com desespero os desdobramentos do terremoto que devastou a Venezuela na última quarta-feira. O desastre já deixou mais de 1.700 mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de desaparecidos. Sem conseguir retornar ao país, muitos tentam contato com parentes nas áreas afetadas enquanto se mobilizam para enviar ajuda humanitária.

Mecânicos relatam angústia de estar longe da família

O mecânico Edwien León mora em Santarém há oito anos e não visita a Venezuela há mais de dois anos. Toda a sua família permanece no país: pais, irmão, duas filhas, primos e amigos. Apesar de ter conseguido confirmar que os parentes mais próximos estão bem, ele não esconde a emoção.

"Fico muito preocupado, passa o desespero de saber como está sua família, se está morto. Não é fácil estar distante e saber de uma tragédia dessas", relatou.

Seu primo, o também mecânico Jampiero León, está no Brasil há menos tempo e guarda na memória um episódio parecido. Ele estava na Venezuela em 2018, quando o país foi atingido por outro terremoto.

"Durou um minuto e meio. Não foi para o centro do país, foi no litoral. Não afetou tanto. Mas causou muita preocupação e medo nas pessoas", lembrou. Agora, de longe, ele acompanha uma tragédia de proporções muito maiores. "Muito triste pelas pessoas que perderam seus filhos, seus familiares, amigos", disse.

Campanha arrecada insumos médicos e alimentos para bebês

Os dois primos fazem parte de uma comunidade venezuelana que, mesmo distante, não ficou de braços cruzados. Equipes formadas por imigrantes venezuelanos em Santarém estão organizando coletas de donativos para enviar às vítimas.

A coordenadora Analy Chica Galicia explica que a prioridade agora não são roupas, alimentos ou água, itens que já foram arrecadados em grande quantidade em Manaus. O que falta são insumos médicos: gazes, bandagens, soluções salinas, álcool, luvas descartáveis, medicamentos injetáveis, além de materiais para os socorristas, como luvas de trabalho e máscaras N95. Itens de higiene pessoal e alimentos para bebês e adultos também são necessários.

Os donativos podem ser entregues na Avenida Turiano Meira, 3873, bairro Diamantino, ou na Avenida Gripina Matos, 768, bairro Caranazal. Informações pelo número 93-992-57-2345.

Governo brasileiro envia missão humanitária

Segundo informações divulgadas, o governo brasileiro enviou missão humanitária ao país vizinho. Voluntários ainda buscam sobreviventes nesta segunda-feira (29) nos escombros, sob risco de novos tremores.

Para a neuropsicóloga Suanne Souza, acompanhar uma tragédia à distância quando se tem familiares em outro país provoca impactos emocionais profundos. Segundo ela, sentimentos de impotência, insegurança e desequilíbrio psicológico são comuns nesses momentos. A especialista reforça a importância de ter uma rede de apoio para expressar o que se sente e reduzir a ansiedade.

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