Quase uma semana depois dos terremotos que devastaram partes da Venezuela, equipes de resgate e voluntários seguem em busca de sobreviventes em meio a uma crise humanitária que se agrava. A falta de alimentos e abrigo afeta dezenas de milhares de pessoas que perderam tudo.
Busca por sobreviventes continua
Segundo a agência France Presse, o estado de La Guaira é o mais atingido, com escassez de comida "generalizada" e serviços básicos colapsados, conforme alertou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Apesar das chances cada vez menores, um resgate trouxe esperança: um menino de três anos foi encontrado com vida por socorristas jordanianos na terça-feira (30).
Voluntários e equipes estrangeiras, como a americana, trabalham em áreas como Catia La Mar, em La Guaira, onde a AFP acompanhou uma operação noturna em um conjunto residencial de duas torres. A busca, no entanto, não identificou sinais de vida no local.
Emergência humanitária e relatos de sobreviventes
A sobrevivente Andrea Canónico, de 23 anos, contou à AFP que conseguiu ficar 48 horas sob seis metros de escombros em Los Corales porque "nunca se desesperou". Já Daniela Armas, de 18 anos, disse que as pessoas chegam a "se matar por comida" nos pontos de distribuição de suprimentos, descrevendo a situação como uma loucura.
O número oficial de mortos subiu para 1.943, segundo dados do governo divulgados na terça-feira. A ONU estima em cerca de 50 mil o total de desaparecidos após os tremores de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em 24 de junho. O governo venezuelano evita comentar os números oficiais de desaparecidos, mas fontes oficiais indicam que cerca de 30 mil pessoas estavam nas ruas no momento dos abalos.
A polícia investiga o caso.
