O sistema de saúde da Venezuela está à beira do colapso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira (30) que hospitais no país estão pressionados, desorganizados e superlotados após os terremotos devastadores que atingiram a região no fim da semana passada.
De acordo com a OMS, um levantamento analisou 21 unidades de saúde venezuelanas. Pelo menos três estão gravemente danificadas, outras seis funcionam apenas parcialmente ou sofrem danos significativos. "Os demais permanecem operacionais, mas sob forte pressão", informou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em coletiva em Genebra.
O panorama é caótico. A OMS identificou prestação de serviços desorganizada, fluxo de pacientes descontrolado, superlotação e acúmulo crescente de cirurgias aguardando realização.
Números alarmantes de mortos e feridos
Os terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 deixaram um rastro devastador. O governo venezuelano contabiliza mais de 1.700 mortos e mais de 5.000 feridos. Cerca de 15.866 pessoas estão desalojadas, e 22.619 receberam atendimento hospitalar decorrente dos ferimentos.
Os tremores atingiram a região norte do país, incluindo Caracas, La Guaira e Maiquetía, derribando edifícios e deixando a capital em situação crítica. Foram os sismos mais fortes registrados na Venezuela em mais de 100 anos.
Riscos adicionais à população venezuelana
Além dos danos estruturais, a OMS aponta preocupações com profissionais de saúde desaparecidos, especialmente obstetras na região de La Guaira. Essa ausência cria uma lacuna crítica no atendimento a gestantes.
As milhares de pessoas deslocadas pelos terremotos enfrentam risco aumentado de surtos de doenças como febre amarela e dengue, principalmente pela cobertura vacinal relativamente baixa no país. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que mais de 6 milhões de pessoas foram afetadas pelos tremores, com possibilidade de 50 mil desaparecidos.
