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Venezuela improvisa necrotério em porto após terremotos devastadores

Porto de La Guaira vira necrotério improvisado após terremotos na Venezuela. Familiares enfrentam longas filas para identificar corpos. Saiba mais.

Por GrudanaWeb 30 de Junho de 2026, 06:45 📖 4 min de leitura
Venezuela improvisa necrotério em porto após terremotos devastadores
Wikimedia Commons - Venezolana de Televisión

O porto de La Guaira, na Venezuela, se tornou um necrotério improvisado após os terremotos que atingiram o país há seis dias. Centenas de corpos estão sendo armazenados no local, onde médicos legistas trabalham ao ar livre para processar as vítimas da tragédia.

Conforme relatado pela agência de notícias AFP, médicos com jalecos azuis trabalham entre dezenas de sacos mortuários empilhados no chão e caixões de madeira. Uma tenda branca concentra a operação, rodeada por aproximadamente cem caixões vazios e escombros de edifícios colapsados.

Os terremotos que devastaram La Guaira

Os tremores ocorreram na quarta-feira, com magnitudes de 7,2 e 7,5 em um intervalo de segundos, devastando La Guaira, um estado costeiro vizinho a Caracas. O porto é um dos mais importantes do país devido à proximidade com a capital. Segundo as autoridades venezuelanas, o número oficial de mortos chegou a 1.719, mas continua aumentando conforme novos corpos são retirados dos escombros.

Os legistas estão sobrecarregados. Nos primeiros dias, feridos e cadáveres foram encaminhados a hospitais da região, mas os necrotérios das unidades de saúde colapsaram rapidamente pela grande quantidade de óbitos.

Filas de familiares em busca de corpos

Familiares enfrentam longas esperas no porto para reconhecer entes queridos ou receber os corpos. Wilker Molalla, de 25 anos, aguarda ser chamado para identificar sua irmã e seus filhos, além dos filhos de seu irmão. A família vivia próximo ao porto. Dos 11 membros, apenas Molalla e seu irmão sobreviveram porque estavam trabalhando no momento dos tremores.

Muitos familiares chegam ao local carregando buquês de flores. Críticas à falta de pessoal para atender a emergência são frequentes entre os que aguardam. A busca entre os escombros é realizada, na maioria dos casos, sem apoio das autoridades.

Antony Marcano, cozinheiro de 41 anos, relatou sua experiência: passou horas procurando entre os corpos antes de encontrar sua filha. "Reconheci pelo anel que eu dei a ela", afirmou, desolado.

Operações no necrotério improviso

No porto de La Guaira, são emitidos certificados de óbito e autorizações para cremação. Representantes de funerárias privadas oferecem serviços gratuitos de traslado e cremação, com carros funerários estacionados próximos ao local.

Alguns corpos estão cobertos com cal, procedimento que alguns especialistas consideram desnecessário. A ONU anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias para o país. As autoridades venezuelanas evitam falar em desaparecidos, mas a Organização das Nações Unidas estima que sejam cerca de 50 mil pessoas.

Darwin Silva, de 37 anos, preparava-se para transportar o corpo da mãe, que morava em um conjunto habitacional. "Já foi reconhecida, já me deram a certidão de óbito", afirmou o homem, que levou pessoalmente o corpo até o porto para concluir os trâmites.

O conjunto habitacional Hugo Chávez I, onde muitas vítimas residiam, representa a grave situação humanitária do país. A maioria dos prédios na parte de trás do conjunto desabou completamente, conforme relatado por Jenny Contreras, de 28 anos, que dorme na rua com sua família desde que os tremores destruíram parte do imóvel.

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