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Venezuela busca sobreviventes: fome e desespero uma semana após terremotos

Terremotos na Venezuela deixam quase 2.000 mortos e 50.000 desaparecidos. Fome e escassez agravam crise humanitária. Veja os últimos desdobramentos.

Por GrudanaWeb 01 de Julho de 2026, 06:30 📖 4 min de leitura
Venezuela busca sobreviventes: fome e desespero uma semana após terremotos

Quase uma semana após os terremotos que devastaram parte da Venezuela, as equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes. A tragédia já deixou quase 2.000 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos, enquanto a crise humanitária se agrava com a falta de alimentos e abrigo.

Fome e escassez agravam crise

No estado de La Guaira, o mais afetado, a escassez de comida é "generalizada" e os serviços básicos colapsaram, segundo alerta do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A sobrevivente Daniela Armas, de 18 anos, relatou à AFP que as pessoas chegam a se matar por comida. "Parece um galinheiro", disse ela, com o pé suturado e medo de voltar ao apartamento danificado em Catia La Mar.

O governo local contabiliza cerca de 16 mil desabrigados, número muito inferior à estimativa da ONU de 7 milhões de pessoas nessa condição. O Programa Mundial de Alimentos da ONU pediu 50 milhões de dólares (cerca de R$ 258,7 milhões) para alimentar 500 mil pessoas por três meses.

Busca por sobreviventes e resgate milagroso

As equipes de resgate seguem trabalhando entre os escombros. Na terça-feira, um menino de três anos foi encontrado com vida por socorristas jordanianos sob os escombros de um prédio. Já Andrea Canónico, de 23 anos, contou que sobreviveu 48 horas sob seis metros de escombros porque conseguiu manter a calma. "O principal é que eu nunca me desesperei", disse à AFP.

Ao todo, 27 países mobilizaram cerca de 40 equipes de busca e resgate, com mais de 2 mil agentes e 160 cães, segundo a ONU. A agência também anunciou que fornecerá 10 mil sacos para cadáveres.

Risco de doenças e ajuda internacional

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a pressão extrema sobre os serviços de saúde e o risco de epidemias como sarampo, difteria e coqueluche. A médica voluntária Diorjailis Escalona, de 23 anos, disse que "seria preciso mais ajuda", apesar de agradecer o apoio internacional.

O porto de La Guaira, que estava fora de serviço, foi reativado pelos marines americanos para acelerar a entrada de assistência. O governo militarizou a região e exige autorização para acesso à área do desastre.

Famílias inteiras seguem à procura de parentes desaparecidos. Rosanna Luna, de 44 anos, busca a irmã Soraida Torrealba nos escombros. "Sinto que estou de mãos atadas porque não a encontro, não sei nada dela", lamentou. Fotos de crianças e idosos com nomes e contatos inundam as redes sociais.

A Nasa calcula que 58 mil edifícios foram danificados ou destruídos. A ONU estima danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (cerca de R$ 34,7 bilhões).

A polícia investiga o caso.

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