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Intervenção de Trump na Copa expõe laços políticos da Fifa

Presidente dos EUA teria pedido a Gianni Infantino revisão de cartão vermelho contra atacante americano. Caso reacende debate sobre influência política no futebol.

Por GrudanaWeb 06 de Julho de 2026, 08:46 📖 3 min de leitura
Intervenção de Trump na Copa expõe laços políticos da Fifa

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) provocou uma reviravolta no domingo (5) ao suspender um cartão vermelho contra o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, na Copa do Mundo. O presidente americano, Donald Trump, teria pedido diretamente ao presidente da entidade, Gianni Infantino, que a decisão do árbitro brasileiro Raphael Claus fosse revisada. Como resultado, Balogun está liberado para a partida contra a Bélgica nas oitavas de final desta segunda-feira (6).

A medida colocou o processo disciplinar da Fifa no centro da atenção global, provocou reação furiosa da Bélgica e consolidou a relação entre a entidade máxima do futebol e o poder político como principal tema desta Copa.

O que aconteceu

Balogun marcou seu terceiro gol da Copa sobre a Bósnia e Herzegovina na semana passada, mas recebeu o cartão vermelho no segundo tempo por cravar a chuteira no tornozelo de Tarik Muharemovic. O jogador americano de 25 anos foi expulso após revisão do VAR, sob protesto do técnico dos EUA, Mauricio Pochettino. Trump ligou para Infantino após o jogo, reportaram as agências de notícias Reuters, France-Presse e Associated Press, citando fontes em anonimato. A Fifa então anunciou a reversão da suspensão de um jogo que Balogun enfrentava devido ao cartão vermelho.

Em nota, a Fifa afirmou que Balogun estará sujeito a um período probatório de um ano, justificando a decisão no seu código disciplinar. A entidade tem discricionariedade para suspender total ou parcialmente a aplicação de uma sanção disciplinar. "Se Folarin Balogun cometer outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será reativada e a sanção aplicada sem prejuízo de qualquer sanção adicional imposta pela nova infração", acrescentou a Fifa.

Casa Branca e seleções reagem

A Federação de Futebol dos EUA aceitou a decisão, enquanto Trump optou por um agradecimento público. "Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça", escreveu Trump na própria mídia social. Já a Casa Branca celebrou, na sua página oficial da rede social X, escrevendo: "EUA-EUA-EUA." Os companheiros de Balogun disseram que só souberam da reversão do cartão pelas redes sociais, quando estavam a caminho do treinamento antes do jogo desta segunda-feira em Seattle. "Acho que 99,9% das pessoas do futebol disseram que é uma punição injusta e há precedentes que permitem suspender uma punição e cumpri-la depois, então não entendo como as pessoas podem ficar surpresas", disse Pochettino numa entrevista coletiva no domingo à noite.

Comentando o caso, o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, opinou que Balogun não merecia cartão vermelho, mas questionou a suspensão da punição pela Fifa, após ver seu defensor Jarell Quansah ser expulso na vitória por 3 a 2 sobre o México nas oitavas de final no domingo. "O VAR entrou em ação, três pessoas revisaram e acharam que era vermelho. Então a decisão foi tomada", disse. "Quem anula essa decisão depois, e quando? E com base em quê? Até onde isso vai agora? Isso é estranho para mim... Onde isso começa e onde termina?" Já a Real Associação Belga de Futebol (RBFA) disse estar "surpresa", argumentando que o regulamento da Fifa "estabelece claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a próxima partida da equipe, como ocorreu em todos os cartões vermelhos anteriores nesta Copa do Mundo."

Precedente de 1962

O Brasil esteve envolvido no último episódio que envolveu a suspensão de um cartão vermelho sob aparente influência política, em 1962. O meio-campista brasileiro Garrincha foi expulso no minuto 83 da semifinal contra a seleção chilena por chutar um adversário. Mas ele pôde jogar a final contra a Tchecoslováquia após uma campanha de pressão, que contou com apoio do presidente Jorge Alessandri, do Chile, então país-sede. O Brasil venceu e conquistou o bicampeonato.

A polícia investiga as circunstâncias do caso atual, que segue gerando debate sobre os limites da influência política no futebol.

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