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Trauma infantil: o longo trabalho de apoio às crianças vítimas dos terremotos na Venezuela

Veja como ONU e ONGs atuam no apoio psicológico a crianças desabrigadas pelos terremotos na Venezuela. Trauma se manifesta em desenhos e reações a ruídos.

Por GrudanaWeb 03 de Julho de 2026, 11:45 📖 3 min de leitura
Trauma infantil: o longo trabalho de apoio às crianças vítimas dos terremotos na Venezuela

Em meio à tragédia dos terremotos que atingiram a Venezuela, um estádio em La Guaira foi transformado em abrigo para centenas de desabrigados. Desde 24 de junho, famílias inteiras, muitas com crianças, vivem no local sob a administração da ONU. Além da ajuda material, a prioridade agora é o apoio psicológico aos pequenos afetados pelo trauma.

Andreina, mãe de três filhos, conta à reportagem da RFI que a caçula de cinco anos, brincando com cordas, desabou emocionalmente ao saber de uma amiga que perdeu os pais. "Ela me disse que estava aliviada por ainda me ter. É muito difícil. Soube que meus sobrinhos morreram, mas não tenho coragem de contar à minha filha", relata.

Apoio psicológico e atividades no abrigo

Sob a coordenação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), dezenas de crianças participam de jogos, desenham e brincam, supervisionadas por profissionais da infância. A entidade estima em 680 mil o número de crianças que necessitam de ajuda humanitária no país.

Johana Gando, psicóloga da ONG venezuelana Fundainil, explica que o trauma aparece nos desenhos. "Elas desenham famílias e casas. Algumas crianças desabam emocionalmente enquanto desenham, porque o evento traumático vem à tona", afirma. A equipe evita perguntar sobre perdas ou o que aconteceu. "Nosso trabalho é apoiá-las e oferecer ferramentas para que lidem com suas emoções", acrescenta.

Impacto imediato e de longo prazo

Roberto Benes, diretor regional do Unicef para a América Latina, ressalta que a ocorrência de dois tremores em curto intervalo ampliou a urgência de apoio. "Há necessidade imediata de assistência médica e apoio psicossocial, mas, acima de tudo, de acesso à água potável. O impacto do trauma causado pelo terremoto é significativo e não deve ser subestimado", destaca.

Claudia Gonzalez Pacheco, chefe de Relações Externas da World Vision Venezuela, diz que as crianças estão aterrorizadas com qualquer movimento ou ruído repentino. "Ontem, houve uma tempestade, e meu neto de dois anos começou a tremer todo por causa dos trovões. Esse duplo terremoto teve um impacto emocional devastador", relata. Ela alerta que o trauma se manifesta tanto de imediato quanto a longo prazo, já que a recuperação da Venezuela pode levar meses ou anos.

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