Uma moradora de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, e o filho autista viveram cinco anos sem acesso à energia elétrica em casa. O caso foi revelado pelo Ministério Público do Estado (MPSC). Segundo o órgão, a represália começou em 2021, após a vítima pedir uma medida protetiva contra o ex-marido.
O homem solicitou o desligamento da energia da residência, já que a unidade consumidora estava registrada no nome dele. Ele morreu um ano depois, mas os ex-sogros da vítima mantiveram a privação para forçá-la a abandonar o imóvel, onde ela viveu por mais de 20 anos.
Como era a rotina sem luz
Durante o período sem energia, a mulher aquecia água no fogão para tomar banho e enfrentava calor intenso apenas com as janelas abertas. Ela dependia da ajuda de vizinhos para guardar alimentos na geladeira, carregar o celular ou usar equipamentos elétricos básicos.
“Eu tomava banho em casa igual antigamente, de bacia. O vizinho me ajudou muito. Ele botou até uma extensão para botar bateria para recarregar celular. Eu tinha gaveta no freezer dele para botar carne”, relatou a vítima em vídeo divulgado pelo MPSC.
A falta de energia também afetava o filho autista. “Às vezes o meu filho se desesperava sem energia, ia para a casa da minha mãe, mas assim fomos vivendo”, contou ao MPSC.
Justiça determina religamento
A vítima buscou judicialmente o restabelecimento da energia, mas o pedido foi negado por entraves relacionados à titularidade do imóvel e da unidade consumidora — a casa fica em um terreno com diversas residências registradas em nome de familiares do ex-marido.
A situação mudou no final de maio deste ano. Durante uma audiência de uma ação que tramita na Justiça, foi determinada a religação imediata da energia. Em junho, a mulher voltou a ter luz em casa. Agora, os ex-sogros respondem por violência psicológica.
A polícia investiga o caso.
