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Kuiussi Khisêtjê, sobrinho do cacique Raoni, morre aos 80 anos

Liderança indígena do povo Khisêtjê, sobrinho do cacique Raoni, faleceu nesta sexta (3) em Mato Grosso. Causa não foi divulgada.

Por GrudanaWeb 03 de Julho de 2026, 22:01 📖 3 min de leitura
Kuiussi Khisêtjê, sobrinho do cacique Raoni, morre aos 80 anos

O cacique Kuiussi Khisêtjê, liderança do povo indígena Khisêtjê e sobrinho do cacique Raoni, morreu nesta sexta-feira, 3, aos 80 anos. A causa da morte não foi divulgada.

O povo Khisêtjê vive na terra indígena Wawi, dentro do Parque Indígena do Xingu, no norte de Mato Grosso. Em nota nas redes sociais, a Associação Indígena Khisêtjê lamentou a perda e contou a história de Kuiussi.

Trajetória e luta pelos direitos indígenas

De acordo com a associação, Kuiussi assumiu a liderança dos Khisêtjê ainda jovem, antes dos 20 anos, após a morte do pai. “Embora não falasse português e não soubesse ler ou escrever nessa língua, sua inteligência, sabedoria, coragem e profunda visão política fizeram dele uma das maiores lideranças indígenas Khisêtjê”, afirmou a organização.

Nos anos 1990, preocupado com o avanço da agropecuária na bacia do rio Suiá-Miçu, Kuiussi liderou a luta pela reconquista do território tradicional dos Khisêtjê, conseguindo o reconhecimento e a demarcação da terra indígena Wawi. Ele também buscou a demarcação de terras onde viveu na juventude, que ficaram fora da área demarcada.

Homenagens e solidariedade

O Instituto Raoni publicou uma mensagem de solidariedade aos familiares de Kuiussi e ao povo Khisêtjê, destacando o legado dele na defesa dos territórios, da cultura e dos direitos indígenas. “Sua caminhada foi marcada pela coragem, pela sabedoria e pelo compromisso permanente com a proteção da vida, da cultura e das futuras gerações”, afirmou o instituto, que também ressaltou a relação de respeito e afeto com o próprio Raoni.

Cacique Raoni segue internado na UTI

O cacique Raoni, de 94 anos, está internado desde 19 de junho no Hospital São Paulo, da Unifesp, com obstrução intestinal, desidratação e pneumonia por aspiração. Na última quarta-feira, 1º, ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após apresentar hemorragia digestiva alta. Segundo o último boletim, ele está “estável, consciente, respondendo a comandos, com dreno de tórax, sem febre, respirando ar ambiente e aceitando melhor a dieta oral”.

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