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Morte de torcedor em Goiás: jogos decisivos podem triplicar risco de infarto, diz estudo

Estudo da Copa do Mundo de 2006 mostra que emoção intensa em dias de jogos pode aumentar em até três vezes os eventos cardiovasculares em pessoas com doença cardíaca. Entenda.

Por GrudanaWeb 30 de Junho de 2026, 11:16 📖 4 min de leitura
Morte de torcedor em Goiás: jogos decisivos podem triplicar risco de infarto, diz estudo

Um torcedor de 60 anos morreu na segunda-feira (29) em Goiás após passar mal enquanto assistia ao jogo do Brasil contra o Japão, pela Copa do Mundo. O caso ainda não permite afirmar o que provocou a parada cardiorrespiratória, mas episódios como esse são compatíveis com um fenômeno já conhecido da cardiologia: momentos de forte carga emocional podem desencadear infartos, arritmias e outras emergências cardiovasculares em pessoas que já apresentam alguma vulnerabilidade.

Essa relação foi medida em um dos estudos mais importantes sobre o tema, publicado no New England Journal of Medicine. Pesquisadores acompanharam prospectivamente 4.279 atendimentos de emergência durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e verificaram que, nos dias em que a seleção alemã entrava em campo, a incidência de eventos cardiovasculares era 2,66 vezes maior do que no restante do período analisado. Entre os homens, o aumento chegou a 3,26 vezes.

Futebol não provoca infarto, mas pode servir de gatilho

Assistir a uma partida decisiva provoca uma resposta fisiológica semelhante à desencadeada por outras situações de intenso estresse. O organismo libera adrenalina e outros hormônios que aceleram os batimentos cardíacos, elevam a pressão arterial e aumentam o consumo de oxigênio pelo coração.

Em pessoas saudáveis, essa resposta costuma ser temporária e bem tolerada. Já em quem tem placas de gordura nas artérias coronárias, hipertensão, doença coronariana ou predisposição a arritmias, esse aumento da demanda pode desequilibrar o fornecimento de sangue ao músculo cardíaco e precipitar um evento cardiovascular.

É exatamente essa diferença que o cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, destaca:

"As pessoas não infartam por causa do futebol. Elas infartam porque já têm doença coronariana. A emoção aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e a necessidade de oxigênio pelo coração. Se a irrigação já é insuficiente por causa das placas nas coronárias, essa demanda extra pode desencadear primeiro a dor no peito e, em alguns casos, o infarto."

Intensidade da emoção é o que pesa

Os pesquisadores observaram que o aumento das emergências praticamente desaparecia quando eram disputados jogos sem a participação da Alemanha. O resultado sugere que o componente emocional — a identificação do torcedor com sua equipe, a expectativa pelo resultado e a tensão da partida — exerce papel mais importante do que o simples fato de assistir a um jogo de futebol.

As maiores altas ocorreram nas partidas eliminatórias, especialmente no confronto contra a Argentina, decidido nos pênaltis, e na semifinal contra a Itália. Já no jogo que definiu o terceiro lugar, o número de atendimentos voltou a níveis semelhantes aos observados no período de comparação. Para os autores, isso indica que não é a vitória nem a derrota que desencadeiam os eventos cardiovasculares, mas o nível de estresse vivido durante a partida.

Outro achado chamou a atenção dos pesquisadores: o maior número de infartos, arritmias e outras emergências ocorreu nas duas primeiras horas após o início das partidas da seleção alemã. Depois desse período, a incidência permaneceu elevada por algumas horas antes de retornar ao normal.

A polícia investiga o caso do torcedor de 60 anos em Goiás.

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