A histórica disputa entre Lionel Messi e Diego Maradona pelo coração dos argentinos parece ter chegado ao fim. Segundo a colunista Janaína Figueiredo, em texto publicado nesta sexta-feira (3), o que antes dividia opiniões hoje é uma dúvida restrita a poucos teimosos.
Messi, que acaba de completar 39 anos, é atualmente a figura mais importante do futebol nacional. Seu rosto estampa mais de 20 grandes murais espalhados por Buenos Aires e outras cidades da Argentina, além de bandeiras e camisetas nos estádios da Copa.
Pesquisa aponta vantagem esmagadora de Messi
De acordo com levantamento da empresa Giacobbe e Associados, realizado em junho deste ano, a preferência por Messi entre torcedores homens chega a 67,7%, contra 28,7% de Maradona. Já no público feminino, o atual camisa 10 da Argentina alcança 77,9% — influenciado, segundo a analista, pelos escândalos envolvendo o craque dos anos 80 e 90 com mulheres e filhos fora do casamento.
Quando o recorte é por idade, o domínio de Messi se torna ainda mais evidente. Entre jovens de 16 a 30 anos, 80,2% escolhem o ídolo rosarino, contra apenas 10,8% que preferem Maradona. Acima dos 50 anos, a vantagem de Messi cai, mas ainda é significativa: 65,1% contra 33,2% do ex-jogador, morto em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos.
Maradona, o 'ausente mais presente'
Apesar da preferência por Messi, Maradona ainda ocupa um lugar especial na memória dos argentinos. O jornalista Daniel Arcucci, autor de biografias sobre o ex-craque e presente na cobertura da Copa, define o ídolo como “o ausente mais presente”, expressão usada pelo ex-jogador Jorge Valdano.
“Algumas pessoas me dizem que tenho de soltar Maradona. Bem, acho que estão errados. Se soltar significa esquecer, não contem comigo”, afirmou Arcucci. No entanto, a teimosia do jornalista é cada vez mais rara, segundo a colunista.
Por que a disputa acabou?
Maradona era um ativista político, que apoiou desde a direita peronista de Carlos Menem até Cuba de Fidel Castro e a Venezuela de Hugo Chávez. Messi, ao contrário, tem aversão a declarações políticas. Por muito tempo, o envolvimento de Maradona na vida argentina — dentro e fora dos gramados — o fazia superar Messi na preferência nacional.
Com o passar dos anos, os escândalos do craque mais velho com drogas e mulheres e seu posicionamento político errático desgastaram sua imagem. Enquanto isso, Messi crescia, mesmo sob críticas pela falta de resultados na seleção. A virada veio com a conquista da Copa América em 2021, no Maracanã, e da Copa do Mundo em 2022.
Segundo a análise da colunista, para as gerações mais velhas, o peso emocional dos momentos vividos com Maradona é insuperável. Mas para os menores de 30 anos, que cresceram vendo Messi ganhar tudo e quebrar recordes, o atual capitão da seleção é um líder incontestável.
