Um voo com 146 venezuelanos deportados dos Estados Unidos chegou ao país no último dia 24 de junho, poucas horas antes de um duplo terremoto que destruiu o hotel onde eles estavam hospedados em La Guaira, litoral da Venezuela. O desabamento deixou mortos e feridos, além de grande incerteza entre os familiares.
Voo 164 e o programa Missão Volta à Pátria
Os deportados estavam a bordo do voo 164, parte do programa governamental Missão Volta à Pátria, que recebeu os migrantes no aeroporto. De lá, eles seguiram para o Hotel Santuário La Llanada, em La Guaira, onde passariam por procedimentos administrativos, sanitários e de segurança. O edifício principal de quatro andares desabou durante os tremores.
Segundo informações da BBC News Mundo, o governo venezuelano anunciou que o voo levava 120 homens, 19 mulheres, cinco meninos e duas meninas, todos prontos 'para começar uma nova etapa na pátria amada'. Horas depois, o duplo terremoto mudou o destino do grupo.
Sobrevivente escapou por atraso em ligação
Orlando Torres, um dos passageiros, contou à BBC que deve a vida a uma ligação não atendida. Ele foi um dos últimos a sair do avião e chegou ao hotel quando os trâmites já estavam adiantados. Poucos minutos antes do terremoto, Torres estava em um edifício anexo, tentando falar por telefone com o irmão — exigência do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin).
Como o irmão não atendeu, o trâmite atrasou em alguns minutos. Esse atraso o manteve longe do prédio principal, que desabou em seguida. Outros sobreviventes relataram que escaparam ajudando uns aos outros a sair dos escombros.
Autoridades demoraram no resgate, segundo relatos
Sobreviventes e familiares criticaram a lentidão das autoridades no resgate. De acordo com relatos ouvidos pela BBC, a primeira ajuda externa chegou cerca de cinco horas após o terremoto. O Sebin fechou o acesso ao hotel, e parentes tiveram que buscar informações em hospitais e necrotérios por conta própria. Redes de apoio foram criadas entre as famílias, que agora cobram por justiça.
Os dois terremotos deixaram pelo menos 2 mil mortos e dezenas de milhares de feridos e desaparecidos em todo o país. A polícia investiga o caso.
